Psicomotricidade e as Histórias Infantis




"Para a criança, o brincar é a sua linguagem (expressa suas alegrias, frustrações, habilidades e dificuldades). É a maneira encontrada para se expressar no mundo e comunicar a sua realidade inteiro." Winnicott

Pode parecer apenas uma 'brincadeira', uma história que as crianças ouvem e reproduzem nas aulas de Psicomotricidade, mas vai além disso.

Nossa história, nossa vida é baseada através das narrativas, que surgem a partir das experiências que passamos, podemos pensar que narrativa temos a nossos respeito, que história contamos sobre nós mesmos? Uma história de coragem? Uma história de medos? São infinitas as histórias que temos, então no momento em que a criança simboliza, entra no mundo da imaginação e vai formando sua personalidade, sua narrativa, de acordo com aquilo que ela vai assumindo de postura diante das brincadeiras.

Vamos à um exemplo, na brincadeira da construção de casas, com o lobo mau assoprando-a e destruindo-a, é uma história, uma brincadeira que gera medo nas crianças, e o medo faz parte da vida de TODOS, mas aí está o papel da Psicomotricidade, na brincadeira com o adulto que vai perceber as simbolizações e qual a necessidade da criança, acompanhando-a, podem acontecer algumas situações, uma delas, se a criança apresenta muito medo, é motivá-la a lidar com ele. Na aula que tivemos este tipo de situação, o menino que estava criando esta brincadeira, construía sua casa, havia um tempo para esta construção, e ela acontecia com cuidado e paciência, o lobo soprava sua casa, e ele corria para a casa da psicomotricista, procurando proteção, e encontrando uma forma de resolver este ‘problema’ (fugir do lobo). Ao ponto do lobo destruir as duas casas, em determinado momento, após encolher-se de medo do lobo em sua casa que agora estava destruída, ele diz: “Vamos acabar com esse lobo!”, e numa postura de coragem, ele sai pela sala para deter o lobo. Aí está clara a superação do medo que, simbolicamente apresentava-se ali, com um ato de coragem.

Esta experiência não fica apenas no plano da imaginação, pois como disse antes, a criança vai formando sua personalidade através do brincar, pois é a forma que ela expressa-se no mundo. 

Hoje questiono-me: Quantos de nós somos capazes de, primeiro, ‘construir nossas casas’ com paciência e dedicação, ou seja, colocar nossos projetos em ação, e logo ele ser destruído, e ainda termos a capacidade de enfrentar aquele causadores externos (os fatores ambientais, os problemas externos) ou internos (autossabotagem, inconsciente) e enfrentá-los e logo voltar a construir nossas casas, voltar aos nossos objetivos, nossos desejos, com cautela e cuidado?


Este é apenas uma das percepções que podemos apresentar da Psicomotricidade, e claro que ela pode ter sido uma percepção minha, mas não podemos negar, como diria Lapierre:

“É a partir dessas primeiras experiências que a criança vai construir, pouco a pouco - sem que ambos se a percebam - a construção da sua personalidade, o seu modo pessoal de ser, de agir e de reagir diante dos outros, diante dos objetos, diante do mundo que o rodeia."



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