A imaginação pode mudar o real



 Apresento aqui um trecho do livro de Laura Bettini, referência da Psicomotricidade na Itália, onde ela relata sua experiência com a imaginação e o real. A sua escrita e a sua experiência são tão bonitas que não ousei explicar todo esse contexto com as minhas palavras.

(Este trecho é uma tradução livre, feita por mim) 


L’immaginazione può combiare il reale


A imaginação pode mudar o real


Ricordo che per lungo tempo, neel’infanzia, ho praticato un gioco in compagnia di mia cugina: ci recavamo nel guardaroba, la stanza più lontana di tuttenella geografia della casa, prendevamo degli sgabelli, ci salivamo sopra e iniziavamo una strenua concentrazione con lo scopo di alzarci in volo. Ovviamente non ci siamo mai riuscite e non pensavamo certo che questo fosse realmente possibile. Eppure la procedura aveva una sua precisa ritualità, che doveva essere puntualmente rispettata e la sequenza dei gesti veninva ripetuta innumerevoli volte senza che mai si indebolissero le motivazioni. 


Lembro-me que durante muito tempo, na infância, joguei uma brincadeira na companhia do meu primo: fomos ao guarda-roupa, o cômodo mais distante de todosna geografia da casa, pegamos banquinhos, subimos neles e começamos uma extenuante concentração com o objetivo de decolar. Obviamente, nunca tivemos sucesso e certamente não achávamos que isso fosse realmente possível. Mas o procedimento tinha um ritual próprio e preciso, que devia ser devidamente respeitado e a sequência de gestos era repetida inúmeras vezes sem jamais enfraquecer as motivações.


Sembrerá strano, ma ho l’,impressione che questo gioco,la fedeltà ad esso, il rispetto del rituale, il fatto di condividerlo con un’altra persona, il piacere impareggiabile che ci dava sprofondarci alla fine in folli risate, abbia creato in me dei veri cambiamenti.


Pode parecer estranho, mas tenho a impressão de que este jogo, a fidelidade a ele, o respeito ao ritual, o fato de compartilhá-lo com outra pessoa, o prazer inigualável que nos deu cair em gargalhadas no final, criou em mim, mudanças reais.


Che abbia rafforzatto la mia volontà, la mia capacità di credere a un progetto anche in assenza di risultati immediati, l’ironia e l’autoironia. Ciò di cui ridevamo a crepapelle era proprio la nostra pervicacia nel voler continuare a tentare la via del volo pur constatado ogni volta che ciò non accadeva.


Que fortaleceu minha vontade, minha capacidade de acreditar em um projeto mesmo na ausência de resultados imediatos, ironia e auto-ironia. Aquilo de que rimos muito foi a nossa teimosia em querer continuar a tentar o caminho do voo, embora averiguemos cada vez que isso não aconteceu.


Nel presente, mi suceede ancora di ripercorrere mentalmente quel gioco infantile del levarmi in volo; rivedole procedure, di cui ero espertissima come un navigato pilota, riprovo la piccola apnea che segnala il timore che non funzioni… e poi, immancabilmente, mi sollevo e fluttuo nell’aria controllando con abilità salite e discese. È una sensazione fantastica, del tutto vera e assolutamente fisica. Quando il sogno a occhi aperti finisce, avverto in me dei cambiamenti reali: mi sento leggera leggera e affronto con più allegria e fiducia gli impegni della giornata.


No presente, ainda tenho que refazer mentalmente aquele jogoinfantil de decolar; Revejo os procedimentos, dos quais fui muito experiente como piloto, tento novamente a pequena apnéia que sinaliza o medo de que não funcione ... e então, invariavelmente, me levanto e flutuo no ar, controlando habilmente subidas e descidas. É uma sensação fantástica, completamente real e absolutamente física. Quando o devaneio termina, sinto mudanças reais em mim: me sinto leve, e leve encaro os compromissos do dia com mais alegria e confiança.



È infatti l’esperienza stessa che ha maturato in me la convinzione che una storia immaginaria possa riuscire a comunicare con la realtà e a trasformarla, alla sola condizione di riuscire a darsi concretezza ditangibile, diventando confrontabile e condivisibile con altri.


De fato, é a própria experiência que desenvolveu em mim a convicção de que uma história imaginária pode comunicar-se com a realidade e transformá-la, com a única condição de poder se dar a concretude do tangível, tornando-se comparável e compartilhável com outros.


È proprio seguendo questa procedura che il gioco svolge il suo compito principale, che consiste nel rendere i desideri concretizzabili. Immaginare di volare - prefigurarlo nella mente -  è già un progetto per qualcosa di possibile, ma giocare a volare nella realtà materiale del corpo e delle cose, aprire e muovere le proprie braccia, aggiungere alle braccia stoffe, dei pezzi di legno, delle estensioni materiali è una realizzazione nel vero senso del termine, un’azione che trasforma la disposizione e l’interazione delle cose e che può portare, ad esempio, como è accaduto nella storia della tecnologia umana, a progettare e costruire macchine volanti e aerei, a volare veramente!


É justamente seguindo esse procedimento que o jogo cumpresua tarefa principal, que é tornar os desejos realizáveis. Imaginar voar - prefigurar na mente - já é um projeto para algo possível, mas brincar de voar na realidade material do corpo e das coisas, abrindo e movimentando os braços, acrescentando tecidos, pedaços de madeira, extensões materiais aos braços. é uma realização no verdadeiro sentido do termo, uma ação que transforma o arranjo e a interação das coisas e que pode levar, por exemplo, como aconteceu na história da tecnologia humana, a projetar e construir máquinas voadoras e aviões, e voe de verdade!

   Nas nossas experiências e vivências na aula eu percebo o quanto as crianças tem essa capacidade de imaginar, de entrar num saco cheio de bolas e ficar impressionado que viu um mar de bolas, como relatou um aluno, extasiado. 

   Da minha infância lembro de brincar muito com meus amigos, meus primos, de explorar o “campinho”, como chamávamos, criando clubinhos, subindo o morro, brincando muito, e ao final do dia não querer nem voltar para casa, pois lá estavam todas as possibilidades infinitas, e lembro-me de sentir exatamente do corpo essa sensação gostosa de euforia e felicidade, a mesma que vejo nas crianças hoje. 

    É essa capacidade que, quando adultos, nos dá a capacidade de encarar os desafios e as durezas da vida, é essa capacidade que eu acredito que nos traga a vida, que nos traga um fôlego para tentar novamente, e isso só é possível que tivermos vivenciado isso.

   E você? Quais são suas lembranças no brincar? Quais eram teus desafios? Com quem você se aventurava?




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