O papel do Psicomotricista
Hoje, compartilho com vocês, a importância da formação pessoal continuada do psicomotricista e o seu papel no acompanhamento da criança em seu desenvolvimento.
Bem, como falei no post anterior a este, o trabalho na psicomotricidade parte do jogo livre e espontâneo, e o que isso tem a ver com o psicomotricista?
Sou formada em Educação Física, e comumente como prof. de Educação Física nós construímos a ideia e o hábito de dizer o que as crianças devem fazer, e em relação à isso não há nada de errado, o professor é aquele que vai ensinar as técnicas de um jogo, os esportes, brincadeiras com regras pré-estabelecidas, e irá conduzir a turma dando 'ordens' e instruções verbalmente.
Porém, ao deparar-me com esta formação, tive que desconstruir e repensar meu papel na sala, pois o espaço que proporcionamos às crianças, como psicomotricistas, é um espaço de liberdade, com limites previamente combinados (como falei também no post anterior), mas que nós professores não estamos acostumados. O psicomotricista, ao oferecer este espaço deve estar aberto a qualquer situação que possa acontecer, ou seja, nesse momento, antes de estarmos formados, não sabemos mais como agir.
E como um psicomotricista deve agir então? Nós devemos estar tranquilos e abertos para o que as crianças irão trazer, não impor o nosso desejo (aprendemos a reconhecer isso), estarmos disponíveis às crianças, criando uma relação autêntica e verdadeira, nos tornamos seres humanos interagindo e vivendo com outros seres humanos, descontruindo este papel autoritário que muitas vezes desempenhamos como adultos, passando para um lugar de construção de saber a partir de todos os participantes da atividade.
Para que o psicomotricista entenda seu papel, ele passa primeiro a ter consciência das suas próprias atitudes, das suas relações, dos seus desejos, carências, sentimentos, inquietudes... ou seja, existe uma formação constante, para que estejamos conscientes de nós mesmos, buscando o autoconhecimento (Conheça a ti mesmo, e conhecerás o universo e os deuses!), a fim de desenvolver nossas capacidades, de controlar e modular nossas emoções pessoais na situação profissional, respondendo assim às demandas das crianças, sem projetar nas crianças nossos anseios e desejos.
O papel do psicomotricista então, é oferecer este espaço permissivo, no sentido de permitir a expressão de capacidade e dificuldades, oferecer apoio emocional e verbal, escutar as demandas para responder, ser uma presença tranquila e segura, acolhedora, sem julgar e fazendo refletir.
Para que o psicomotricista assuma esse papel, precisará dispor-se a aprender com as crianças, aprender a ser espontâneo, a brincar, a lidar com o imprevisível, escutar, observar, reconhecer as atuações dos pequenos, libertar-se de todas as crenças e limitações que talvez tenha aprendido (psicomotricista) quando criança, para que possa oferecer a próxima geração ações com mais consciência, altruístas e verdadeiramente humanas.
Como vimos, a tarefa do psicomotricista é complexa, cheia de nuances, é estar presente para o brincar, para o imaginar, para o sentir, para o descobrir e principalmente para o cuidar. Todas essas habilidades desenvolvemos durante nossa formação corporal pessoal, e ao longo do nosso fazer, também vamos questionando, reavaliando, refletindo e transformando. Somos seres eternamente em construção, e nos constituímos a partir do outro, essas relações são de extrema valia para um transformar pessoa a pessoa, assim como eu acredito: Quer transformar o mundo? Transforme a si mesmo primeiro.
Já avançamos tanto tecnologicamente, cientificamente, mas como seres que avançam nos valores humanos, ainda estamos engatinhando.
Está na hora de entendermos que um espaço como este, irá sim formar cidadãos com mais autonomia, confiança em si mesmo, solidários, críticos e responsáveis por si e pelo todo (mundo).
💓Com carinho, procuro estar contribuindo, para que as relações se tornem verdadeiramente humanas, a começar por mim.
Indicações:
* Ir a fonte das referências deste post, frase designada a Sócrates, aprofundando na filosofia e do autoconhecimento;
* Música: A começar em mim (Haja mais amor) https://www.youtube.com/watch?v=OGtcg8R8F0A

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