O jogo livre e espontâneo na Psicomotricidade



    
Hoje vou compartilhar um pouco sobre o jogo livre e espontâneo na Psicomotricidade.
   As primeiras impressões de grande parte das pessoas, ao assistir as atividades da Psicomotricidade são:

"Nossa, que bagunça." 💭

"Mas essa prof não coloca ordem na sala." 💬

"Ah, eles brincam livre o tempo todo, deve ser fácil." 😏

    E sinceramente, eu não julgo estes pensamentos e impressões, mas sim gostaria de esclarecer um pouquinho mais a fundo deste jogar livre e espontâneo que acontece com limites e combinações de convivência pré-estabelecidas.

    O espaço que oferecemos à criança, é sim um lugar onde ela pode se expressar de forma livre e espontânea, colocando seus desejos no jogo, assim como irá socializar esse brincar e esse jogo, que assume um aspecto simbólico, pois as crianças são cheias de criatividade e imaginação, e estes dois elementos deveríamos cultivar na nossa criança interior eternamente (infelizmente não o fazemos!)

  Apesar de este, acabar parecendo ser um espaço de 'bagunça', existem alguns elementos importantíssimos que darão segurança e liberdade para esse brincar livre da criança, realizando assim o que ela desejar, dentro deste jogo simbólico. 

    Primeiro destaco os rituais, é a rotina que estabelecemos em todas as vezes que nos encontramos:

        * Retirada do calçado: para que a criança sinta-se como em casa, despindo-se do sapato, simbolicamente, já estamos mais a vontade.
             * O ritual de entrada: é o momento de acolhida das crianças, sentados em roda no tapete (casa do psicomotricista) iremos escutar àquilo que elas tiverem para compartilhar, e também faremos as combinações que também serão importantes para o desenvolvimento da atividade...
                    > Cuidar de si; > Cuidar do outro; > Cuidar do ambiente e dos materiais.
               (Nestes três combinamos conversamos com as crianças para saber o que elas entendem que é cada um.)

         * Desenvolvimento da atividade: momento do jogo livre e espontâneo, em que usamos os materiais, as crianças brincam e jogam e o adulto também brinca, o psicomotricista se torna 'o parceiro simbólico', deixa jogar e joga, observa, escuta, pensa, responde (em outro post falo mais sobre estes aspectos do psicomotricista, que são fundamentais).

            * Ritual de saída: é o momento que após o descanso, relaxamento, voltamos a roda, no tapete, para novamente escutar as crianças, saber do que brincaram, com quem brincaram, o que gostaram, o que não gostaram, e os seus porquês. É o momento também de retomarmos as combinações, e perceber se estas foram atendidas, retomando este prazer de brincar livre, que pode ser explorada, mas respeitando as combinações.

    O envolvimento do psicomotricista durante a atividade é de extrema relevância, pois ao final vamos destacar aquilo que as crianças brincaram, perguntar por que brincara daquilo, mostrar que podemos colocar nosso desejo respeitando o desejo do outro, assim como o espaço que utilizamos.

    Além dos rituais e das combinações que são realizadas com as crianças, nós temos outros limites estruturantes que são importantes na Psicomotricidade, como a organização do espaço, a sala ampla sem objetos, apenas com o tapete, os materiais que serão utilizados, estes são pré-estabelecidos pelo psicomotricista de acordo com a sua intenção para a evolução do grupo, e o tempo medível que nos auxilia marcar o inicio e final da atividade, mas que também está presente o "tempo do jogo, da vivência afetiva emocional, o ponto justo, momento adequado e oportuno, a forma pessoal de viver o tempo intensamente (kairós)" (Mastrascusa e Franch).

    Espero ter deixado mais claro como acontece esse jogo livre e espontâneo na Psicomotricidade, ele vai além de apenas um jogar por jogar, dentro deste espaço tudo acontece carregado de significados e intenções, mostrando quem cada um é, em sua singularidade, e também o que pode vir a se tornar. O mais lindo na Psicomotricidade para mim, é poder trabalhar os valores de respeito, solidariedade, colaboração, companheirismo, sem impor nada a criança, mas oferecendo-lhes um espaço acolhedor ao que ela é, possibilitando sua evolução, oferecendo apoio, sendo uma presença tranquila e segura, escutando suas demandas, colocando limites quando o momento exige.


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